quinta-feira, 9 de março de 2017

Jogos reduzidos

Os jogos reduzidos são um caminho para ser explorado, utilizada por grandes técnicos, em tendência no Brasil e na Europa. Também conhecido como campo reduzido, o treino nesse modo, utiliza o campo em espaço menor do que o normal sem limitar o desenvolvimento do atleta e possibilitando uma análise mais detalhada.

Com conhecimento e boa aplicabilidade os jogos reduzidos podem implementar diversos treinamentos no futebol, quer buscando aprimoramento das valencias físicas de maneira específica ao desporto em questão,  ou buscando aumentar condições técnicas e também táticas,  se assim adequarmos. Segue um exercício que pode ser adaptado com mais atletas e em espaços maiores, de acordo com os propósitos pretendidos.


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Até a próxima, Chape!

Queria começar essa carta contando os meus números na Chapecoense. Porém foram incontáveis chutes na bola, incontáveis sorrisos, abraços, gritos de gol. Queria contar o número de vezes em que achei incrível a energia que havia no vestiário,  ou mesmo no dia a dia. Muitas vezes chutei o ar em comemoração, mas também olhei para o chão procurando explicações. Sim, essa é uma carta de despedida, no entanto, creio que seja uma carta como uma ação de graças.

Sou grato por cada momento vivido na  Associação Chapecoense de Futebol. Tenho uma leve lista de agradecimentos começando pela direção do clube, comissão técnica, atletas e torcida. Alguns destes eu deveria escrever in memorian, mas vou deixar esse termo por aqui, pois sei que quando lembrar de cada um, eles estarão sempre por perto em minhas lembranças. Como a lembrança do Caio Jr., como meu atleta no Esporte Clube de Novo Hamburgo em 1996 em meu primeiro trabalho profissional, em que fomos campeões gaúcho da divisão de acesso e ele foi artilheiro e voltamos a trabalhar juntos, agora, 20 anos depois e construímos mais lembranças.

Essa foi a minha terceira passagem pela Chapecoense. Desta vez fui preparador físico auxiliar do Anderson Paixão, que posso dizer que foi como um irmão para mim, e que conseguimos conquistar todos os objetivos de 2016, como o campeonato Catarinense em que atingimos o penta, a terceira fase da copa do Brasil, inédita. Também a 11ª posição no Campeonato Brasileiro, a melhor colocação das participações da Chape, e a Sul Americana. Eu pude assumir em 14 oportunidades, enquanto Anderson estava à serviço da Seleção Brasileira. Quero agradecer também ao Chinho e Jandir que foram muito amigos em todos os momentos. Agradecer ao Maurinho, Cadu e sem dúvidas ao Sandro Pallaoro.

Por tudo e por todos, quero agradecer pelo companheirismo e dedicação profissional. Obrigado!

Bom, finalizando, quero deixar meu abraço para os que permanecem no clube e aos que saem junto comigo e um abraço especial na torcida. Também quero deixar um grande beijo à todas as famílias que perderam seus queridos na tragédia que nos abalou em novembro de 2016. Até a próxima, Chape!   








quarta-feira, 30 de novembro de 2016

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Capacidade de sprints repetidos e os níveis de potência muscular em jogadores de futebol profissional


Carlos Miguel Porto Almeida

Introdução: os sprints se caracterizam como um tipo de deslocamento muito utilizado por jogadores de futebol, aos quais dependem fundamentalmente de variáveis fisiológicas e podem estar correlacionadas ao desempenho da potência muscular, capacidade física de vital importância para atletas desta modalidade. Objetivo: analisar a potência muscular e a capacidade de sprints repetidos (CSR) em jogadores de futebol profissional. Método: participaram deste estudo 20jogadores de futebol profissional com idades de 19 e 20 anos, do sexo masculino. Antes de iniciarem a coleta de dados, os atletas foram esclarecidos sobre os objetivos do estudo e posteriormente assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os dados foram coletados em quatro momentos, juntos ao complexo esportivo e no campo de futebol do Centro de Desportos (CDS) da UFSC, organizados da seguinte maneira: primeiro, os jogadores realizaram medidas inerentes à avaliação antropométrica (massa corporal, estrutura e dobras cutâneas); segundo, foi realizado o salto vertical – Contínuos Jump (CJ), o qual consistiu na execução contínua de 3 saltos com contra-movimento para análise da potência muscular; terceiro, foi realizado o teste de campo RAST, com protocolo que consiste em efetuar seis sprints máximos de 35 m com 10 s de pausa passiva. Foi registrado o tempo em cada um dos sprints e no quarto momento o CJ foi repetido. Foi utilizada estatística descritiva para a apresentação dos dados. Para verificar se houve diferença nos níveis de potência antes e após os sprints repetidos utilizou-se o teste “t” de Stundent. Para verificar as correlações entre os sprints  e a potência muscular utilizou-se correlação linear de Pearson. O nível de significado foi de p≤0,05. Resultados: não foi verificada diferença significativa nos níveis de potência muscular mensurados antes e depois da realização dos sprints (t=0,58; p=0,57). Entre os tempos dos 6 sprints encontraram-se diferenças significativas (F=122,8; p<0,001), exceto entre o 5º e o 6º (p=0,06) Foi encontrada correlação significativa entre a altura no CJ obtida antes da realização dos sprints (Ha) e o tempo do primeiro sprint (T1) (r=0,62; p=0,01); entre Ha e tempo médio nos sprints (TM) (r-0,58; p=0,01); entre Ha e o melhor tempo nos sprints (MT) (r=-0,60; p=0,01) e entre o TM e o MT nos sprints (r=0,95; p=0,01). Não foiencontrada correlação significativa entre a altura no CJ depois nos sprints (Hd) e o sexto sprint (T6) (r=-0,43; p=0,06). Conclusões: os futebolistas deste estudo foram capazes de manter os níveis de potência muscular após a realização dos sprints; a performance nos sprints repetidos sofreu uma queda significativo até o quinto sprint, sendo mantida no último; por fim, a performance nos sprints esteve relacionada com os níveis de potência.  

Prof. Ms. Carlos Miguel Porto Almeida está lançando um livro referente à dissertação de mestrado em Cineantropometria e Desempenho Humano (UFSC). Almeida é professor do curso de Graduação e Pós-Graduação em Educação Física na UNOESC Campus de Chapecó e também é gerente operacional de futebol da Ass. Chapecoense de Futebol

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Método de transição funcional com valências múltiplas

Janilson Quadros

     Desenvolvido juntamente com o Preparador Físico Especialista em Performance do Treinamento, José Lummertz, o Método de Transição Funcional com Valências Múltiplas visa de maneira integrada aproximar a transferência do atleta do departamento médico para o departamento de preparação física do clube. Definimos, em conjunto, manobras de treinamento e retreinamento para que o atleta possa voltar gradualmente ao ritmo normal anterior à lesão, sem prejuízo de reincidência da mesma. Utilizamos exercícios que façam o atleta retomar seus movimentos e condicionar novamente em todas as valências necessárias para sua melhor performance.

   Este método nada mais é do que a fase final da reabilitação e o início do condicionamento físico do atleta. É aplicado em atletas de futebol profissional quando estão se transferindo do Departamento Médico para os Trabalhos de Campo (condicionamento físico) e é supervisionado pelo fisioterapeuta e preparador físico. Porém, para entender este método é preciso saber como funciona todo o processo de reabilitação do atleta, do primeiro minuto após a lesão até estar apto e pronto para o treinador. O desenho abaixo ilustra o processo de reabilitação.


Para relembrar, a reabilitação divide-se em três fases:

Fase 1 – Fase Clínica: momento em que o objetivo está na diminuição do processo inflamatório, reativação da ADM, reforço da musculatura e fase proprioceptiva.

Imagem de arquivo

Fase 2 – Fase de Movimentos Específicos: nesta fase, o atleta já está em fase final de readaptação muscular. Portanto, inicia-se com movimentos específicos, ou seja, os gestos utilizados dentro do campo. Por exemplo, os zagueiros realizam movimentos como: antecipação, cabeceios, coberturas, etc. Assim, chega-se próximo de uma simulação do que o atleta realiza em campo. Mas ainda mantêm-se circuitos proprioceptivos e pliométricos para melhora da estabilidade.



Fase 3 – Fase de Transição: quando o atleta está deixando a fisioterapia e entrando na fase de recondicionamento com o preparador físico. Nesta fase é muito importante possuir uma Comissão Técnica em sintonia. Aqui há a combinação das três fases: Inicialmente, o atleta realiza uma reavaliação no DM. Após, realiza movimentos específicos; e, por último, o condicionamento físico (retreinamento). O trabalho final de recuperação dos atletas, visando colocá-lo apto para o treinador, determina-se fundamentalmente após a utilização do Método de Transição Funcional com Valências Múltiplas, onde se finaliza o Trabalho da Fase de Transição do Departamento de Fisioterapia e iniciam-se as atividades de campo dentro da Preparação Física.



O Método de Transição Funcional com Valências Múltiplas é aplicado entre a Fase 3 e o Condicionamento Físico. Neste momento atuam fisioterapeuta e preparador físico juntos. 

Ao mesmo tempo em que o atleta realiza exercícios com os movimentos específicos da sua posição tática elaborados pelo fisioterapeuta, intercala exercícios aeróbico/anaeróbico desenvolvidos pelo preparador físico, executando assim, um circuito funcional com valências múltiplas. Desta forma, acelera-se a devolução do atleta ao treinador em razão dos trabalhos com movimentos funcionais utilizados em campo somados ao trabalho de condicionamento físico. 



Do ponto de vista da Preparação Física, a interação com o Departamento Médico é fundamental o acompanhamento de todo processo de recuperação do atleta, desde o momento da lesão até as fases finais do tratamento são imprescindíveis em todos os aspectos: psicológico, de reabilitação e de recondicionamento. Sempre há de considerar as valências físicas do atleta: flexibilidade, força, força estática, força explosiva, resistência muscular local, resistência anaeróbia, resistência aeróbia, velocidade de movimentos, velocidade de reação e agilidade.

      Portanto, dentro de todo o processo de reabilitação de um atleta há sempre movimentos direcionados àqueles executados dentro do campo. Após a Transição Funcional com Valências Múltiplas, o atleta estará completamente liberado do Departamento Médico, podendo assim realizar a finalização do condicionamento físico e, posteriormente, a sua reintegração ao grupo.